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Mercado de shoppings em alta

Apesar das incertezas na economia brasileira, previsão é de que o setor cresça 8,5% em 2015. Segundo Abrasce, estão previstos mais 26 novos empreendimentos que comprovam a interiorização dos centros comerciais no país


Dados do censo Abrasce 2014-2015 apontam que a indústria de shopping centers continua crescendo no Brasil e no Distrito Federal não é diferente. Considerada a maior radiografia do setor, a pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) mostra que a expectativa de crescimento do segmento para 2015 é de 8,5%. A entidade acredita na manutenção do ritmo de expansões e inaugurações no setor, que prevê a chegada de 26 shoppings até o final do ano, inclusive o DF Plaza, previsto para ser inaugurado em setembro.


Para o diretor comercial da Saga Malls, Claudio Vaz, a empresa deve manter o ritmo de trabalho, com duas inaugurações por ano até 2018. Os empreendimentos em andamento são: DF Plaza, em Águas Claras; Aparecida Shopping, em Aparecida de Goiânia-GO; América Shopping, em Goiânia-GO e Várzea Grande Shopping, em Várzea Grande-MT. “A expectativa é muito positiva e não mudamos em nada nossos planos. Vamos inaugurar dois shopping centers este ano, o DF Plaza e o Várzea Grande Shopping, e outros dois em 2016: Aparecida Shopping e América Shopping. Para 2017 e 2018, temos mais quatro projetos: um no estado de Goiás, no DF e em Tocantins e possivelmente na região Sudeste”, afirma.


Claudio Vaz avalia que a região Centro-Oeste ainda tem muito espaço para desenvolvimento desse tipo de empreendimento, ainda mais porque a região cresce acima da média nacional. Outro fator que contribui para essa análise positiva é o movimento de interiorização dos shoppings. Segundo o censo Abrasce 2014-2015, que ouviu os 520 empreendimentos em operação no Brasil, pela primeira vez na história o percentual de empreendimentos fora das capitais é maior que em capitais. No fim de 2014, 49% dos shoppings estavam em capitais brasileiras e 51% em outras cidades. Dos 24 shoppings inaugurados em 2014, apenas seis (25%) foram em capitais.


Além disso, 41% do total dos centros de compras estão concentrados em cidades com menos de 500 mil habitantes. “A estratégia da empresa é exatamente buscar regiões que tenham demanda e que ainda não são atendidas por shopping centers”, explica o diretor comercial da Saga Malls. 


No ano passado, a indústria de shopping centers faturou R$ 142,27 bilhões, um crescimento de 10,1% em relação a 2013. “Tivemos um 2014 com menos dias úteis, incertezas na política e muitos desafios na economia. Apesar disso, o aumento das vendas se manteve acima do desempenho do varejo em geral e do PIB brasileiro”, avalia o presidente da Abrasce, Glauco Humai.

Segmentação e modernização dos pioneiros
O Grupo Venâncio é um dos mais antigos de Brasília, com aproximadamente 50 anos. O Shopping ID era o Venâncio 3000 e, agora, especializou-se em decoração. Para o superintendente do Shopping ID, Zoroastro Neto, a mudança de nome fez parte da estratégia de mercado adotada pelo empreendimento, em 2007, ano de sua reinauguração. “Antes da mudança de nome, o shopping já era especializado em móveis e decoração, porém não possuía um posicionamento bem definido sobre seu mix de lojas. Este foi o ponto de partida para a estratégia de reposicionamento, ou seja, primeiro definimos o público-alvo para buscarmos nos adequar às necessidades e anseios deste público”.


Neto afirma que a segmentação não é uma tendência e, sim, uma oportunidade de mercado. “No nosso caso, à época do início de nossa estratégia, existia pouca oferta e muita demanda para o setor moveleiro. Uma tendência bem vista nos shoppings de Brasília é a revitalização dos equipamentos e expansão de suas áreas de gastronomia e entretenimento”.


Conhecido, em Brasília, por oferecer diversos tipos de serviços em um só espaço, o Shopping Venâncio passa por sua maior transformação. Com um investimento na ordem de R$ 200 milhões, realizado por meio de financiamento bancário e investidores varejistas e imobiliários, a obra de revitalização agrega o conceito multiuso e traz à sociedade brasiliense novas atividades de varejo e alimentação, sem perder a vocação para prestação de serviços de atendimento aos cidadãos, dentre outros. Estima-se que o fluxo de frequentadores, de 18 e 20 mil pessoas por dia, dobre com a revitalização do empreendimento.


“Após três anos de um processo de maturação da ideia inicial, da revisão arquitetônica e de intensos estudos de viabilidade, finalmente, em 2014, o novo projeto foi concebido e estava pronto, quase 40 anos depois, para ser reapresentado ao mercado, no exato lugar onde nascera, mas com a justa pretensão de renascer diferente, mesmo preservando traços do início como sua imponência, essência histórica e a conexão afetiva com a cidade”, afirma a gerente de marketing do Shopping Venâncio, Escritórios e Gastronomia, Karine Pagotte.


Estima-se que mais de dois mil novos empregos serão criados, direta e indiretamente. Além disso, 650 salas comerciais serão distribuídas em duas torres de negócios.


Rafael Venâncio, um dos empreendedores do negócio e filho de Antônio Venâncio da Silva, idealizador do Venâncio 2000, inaugurado em 1976, garante que a iniciativa tende a seguir o exemplo dos mais modernos e inteligentes edifícios comerciais de grandes centros urbanos. “Procuramos trazer um novo conjunto estético ao complexo, com status funcional e visual”, explica.


A área de alimentação está, sem dúvida, entre as grandes contempladas pelo novo projeto de complexo multiuso. Os que passarem pelo novo Venâncio Shopping, Escritórios e Gastronomia serão atendidos pelas principais lojas de selfie service e fast food do mercado, como Subway, Pacífico Sushi, Panelinhas do Brasil e Tostex, que já garantiram espaço.



Para um público mais seleto
Referência em moda, diversão, gastronomia e entretenimento para os brasilienses, o Park Shopping conquistou o público, desde 1983, oferecendo qualidade premium e serviços qualificados, em quase 300 lojas. Segundo pesquisa da Ideia Consumer Insights, cerca de 88% dos clientes do shopping são das classes A e B, com movimento anual de 12,2 milhões de pessoas. Com um panorama como este, a modernização é necessária. “As expansões aconteceram também de uma forma natural já que, por outro lado, havia a demanda por parte das marcas e empresários de fora de Brasília que viram no mercado local uma boa oportunidade e um público ávido por novidades”, disse o superintendente do ParkShopping, Marcelo Martins.


Para Martins, as expansões do ParkShopping não estão relacionadas com a chegada do principal concorrente, o shopping Iguatemi. “Já vínhamos com projetos de revitalização e expansão em desenvolvimento quando soubemos da vinda deste concorrente pra Brasília. Tínhamos uma demanda grande de lojistas de outras praças, presentes conosco em outros shoppings do grupo Multiplan, de vir pra Brasília, e esse sim foi um grande propulsor para expandirmos o shopping”, afirma.

DANIEL RIBEIRO

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