Pular para o conteúdo principal

BRIC'S: Brasil abre mão da presidência e viabiliza acordo

O Brasil decidiu abrir mão de querer indicar o primeiro presidente do Novo Banco de Desenvolvimento para evitar o vexame de não conseguir que o acordo fosse firmado depois de tanta expectativa. A instituição ainda precisa passar pelo crivo do parlamento de cada integrantes do bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (Brics) para ser instalada, o que deve demorar mais de um ano.

Em discurso na sessão plenária da cúpula do Brics, a presidente Dilma Rousseff anunciou que a Índia indicará o primeiro presidente do banco. A partilha ainda conta com a direção russa do primeiro conselho de governadores; a direção brasileira do primeiro conselho de diretores; a África do Sul como primeiro escritório da instituição; e Xangai (China) como sede do Novo Banco de Desenvolvimento do Brics. O Brasil será o segundo na rotação de presidência, seguido por Rússia, África do Sul e, por último, China.

Para que o acordo saísse hoje, no entanto, foi necessário muito jogo de cintura diplomático, porque havia disputa entre qual cidade sediaria a instituição e também quem indicaria o primeiro presidente do banco. A princípio, o Brasil fazia questão de indicar o primeiro presidente e, para isso, nem entrou na concorrência pela sede – que implicaria ficar em último para assumir a presidência.

O acordo deveria ter sido fechado na reunião ministerial da última segunda-feira e, no meio da tarde, tudo indicava para um desfecho que teria o Brasil na primeira presidência do banco e Xangai (China) como a primeira sede. No entanto, uma reviravolta envolvendo a Índia retomou o impasse e o acordo teve de ser definido em outra rodada de negociação na manhã desta terça-feira.

Para evitar sobreposição de poder, os cinco sócios terão cotas igualitárias, de 20% cada. O capital inicial da instituição será de US$ 50 bilhões para investimentos em projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável. Já a organização do banco será nos moldes de uma sociedade anônima (S.A.), com conselho de governadores (representado os países), conselho de administração e um presidente (CEO).

A principal implicação política de poder indicar o primeiro presidente do banco está relacionada ao ato de tomar as primeiras decisões e fazer as primeiras definições de operação do banco. Um ponto que incomodava aos membros também era o fato de o mandato ser de cinco anos por presidente. Desta maneira, a última presidência do rodízio só se iniciaria 20 anos após a primeira.

Por esse motivo, o Brasil levou à mesa de negociação a possibilidade de reduzir esse mandato. Mais tarde, no entanto, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse ao Terra que está mantido o mandato de cinco anos.

Expansão de empréstimos para não-membros

Assim que começar a operar, o Novo Banco de Desenvolvimento financiará apenas projetos nos países-membro do Brics. Até desenvolver expertise, a prioridade inicial será voltada aos projetos governamentais. Num segundo momento, projetos da iniciativa privada, ainda localizados no Brasil, na Rússia, na Índia, na China ou na África do Sul.

Depois que o banco já tiver engrenado, a proposta dos emergentes é a de poder ampliar a atuação para projetos localizados em outros países – o que pode aumentar o poder de influência do bloco emergentes sobre outras regiões do planeta.

Arranjo Contingente de Reservas (CRA)

Sem grandes impasses, os líderes dos países Brics também aprovaram um acordo que cria o Arranjo Contingente de Reservas (CRA, na sigla em inglês), que é um mecanismo anticrise em caso de problemas de pagamento dos Estados-membro. O CRA se assemelha a um fundo (apesar de tecnicamente não ser) aos moldes do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Para o ministro da Fazenda, Guido Mantega, os Brics vão além de Bretton Woods com a criação do CRA. Nos anos 1940, passada a segunda guerra mundial, a conferência de Bretton Woods criou instituições multilaterais como o FMI e o Banco Mundial para salvar a economia. O Arranjo Contingente de Reservas mobiliza US$ 100 bilhões na seguinte divisão: China, 41%; Brasil, 18%; Rússia, 18%; Índia, 18%; e África do Sul, 5%.

Ao contrário de um fundo, um arranjo contingente de reservas não tem uma instituição que administre os recursos dos países-membro, isto é, não há um repasse de recursos, mas um compromisso entre os bancos centrais. A autoridade monetária de cada país se compromete a fazer os repasses se houver problemas de balanço de pagamentos com algum dos sócios.

Outros acordos

Além do ato que cria o Novo Banco de Desenvolvimento e o CRA, Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul também firmaram um acordo entre seus bancos de desenvolvimento e assinaram um memorando de cooperação entre as agências de garantia de crédito à exportação.


Fonte: Terra

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Notícias do Planalto Central

Simbologia  A imagem (foto) marcante e mais simbólica da semana foi sem dúvida nenhuma a do governador Ibaneis Rocha na Ceilândia cercado de políticos "peso pesados" da Capital. Ladeado de Flávia Arruda (PL) o encontro sinaliza para uma aliança sólida neste ano de 2022.  'Puliça' O encontro de Ibaneis foi no reduto mais cobiçado da Capital, a Ceilândia (maior colégio eleitoral do DF), onde a foto fala mais do que qualquer palavra. O anfitrião,   o delegado Fernando Fernandes estava com sorriso de orelha a orelha com apoio e prestígio. O delegado deverá se filiar ao partido Republicanos com a benção de Ibaneis.  Volta à Cena O empresário e ex-senador  Luiz Estevão que agora goza de liberdade volta aos pouquinhos à cena política e parece já influenciar definitivamente alguns poucos  políticos da Capital, principalmente os distritais. Luiz tem política nas veias e participou discretamente de algumas "confras" ao lado da esposa Cleucy.   Decisão Fraga erra na tá

Coluna: Notícias do Planalto Central

Ex-governador Rollemberg Marketing reverso Na última semana de 2021, antes de assumir sua candidatura a deputado federal o ex-governador Rodrigo Rollemberg publicou um vídeo em que dizia do quanto dá trabalho cuidar das suas bezerrinhas. Fico imaginando o quanto é trabalhoso cuidar do seu curral eleitoral . Em tempo: no vídeo o político aparece todo sujo de esterco. Carnaval Atendendo a oração de muitos e mais ainda ao avanço de uma outra onda do vírus chinês o governador Ibaneis Rocha(MDB) cancelou o Carnaval de rua no DF. Ontem o vice Paco Britto anunciou não descartar um novo lockdown. "Saúde acima de tudo!"   Evangélicos Viver um paradoxo real é também ato de fé, na proporção em que a falta de Carnaval faz mal ao comércio e ao turismo da cidade, a pandemia do vírus chinês também faz mal à população deixando um rastro de pobreza (desemprego) e morte . O discurso dos evangélicos com referência ao fechamento das igrejas precisa encontrar um ponto de convergência ou

ECONOMIA E A LEI DA ESCASSEZ

Introdução Em Economia tudo se resume a uma restrição quase que física - a lei da escassez, isto é, produzir o máximo de bens e serviços a partir dos recursos escassos disponíveis a cada sociedade. Se uma quantidade infinita de cada bem pudesse ser produzida, se os desejos humanos pudessem ser completamente satisfeitos, não importaria que uma quantidade excessiva de certo bem fosse de fato produzida. Nem importaria que os recursos disponíveis: trabalho, terra e capital (este deve ser entendido como máquinas, edifícios, matérias-primas etc.) fossem combinados irracionalmente para produção de bens. Não havendo o problema da escassez, não faz sentido se falar em desperdício ou em uso irracional dos recursos e na realidade só existiriam os "bens livres". Bastaria fazer um pedido e, pronto, um carro apareceria de graça. Na realidade, ocorre que a escassez dos recursos disponíveis acaba por gerar a escassez dos bens - chamados "bens econômicos". Por exemplo: as