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A força dos evangélicos

Todos estão de olho em 2014! Ano de Copa do Mundo, na qual o País vai ser sede, os brasileiros vão às urnas escolher um novo presidente - ou reeleger Dilma Roussef (PT) - e votar em seus representantes no Congresso e nas Assembleias Legislativas: deputados federais, estaduais e senadores. Se para muitos eleitores é cedo demais para pensar no assunto, para os que estão no poder ou anseiam por ele o momento é decisivo. 

É hora de mostrar serviço e fortalecer seus apoios.Os evangélicos no Congresso - 14,2% dos deputados e 5% dos senadores – compõem a Frente Parlamentar Evangélica e têm como desafio manter sua expressividade no Legislativo. Trata-se de 72 deputados federais, quatro senadores, sem esquecer-se do ministro da Pesca e da Agricultura, Marcelo Crivella, eleito senador pelo PRB.

A seu favor, o grupo tem o crescente número de evangélicos - cerca de 22%, segundo dados do IBGE - e a visibilidade que ganhou na mídia, que o diga o deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP), que por semanas foi notícia em todo o País. O motivo: sua indicação para assumir a presidência da Comissão dos Direitos Humanos não agradou ativistas gays.A repercussão foi tão grande que acabou criando um novo foco na atuação dos parlamentares evangélicos. 

Eles ganharam voz em temas polêmicos, em especial os que envolvem direitos dos homossexuais, que pleiteiam novas leis a seu favor, a liberação do aborto, dentre outros.'
Boa parte dos que se dizem evangélicos defendem princípios cristãos, suscitando o debate: convicções religiosas devem nortear a atuação política dos representantes de um Estado laico? O argumento que o Estado é laico, mas não é ateu acaba sustentando o discurso dos que defendem um País mais cristão, anseio de muitos evangélicos.

Apostando nisso, o Partido Social Cristão (PSC), que traz o cristão no nome, embora não seja necessariamente a legenda que reúna maior parte dos evangélicos eleitos, até já anunciou um pré-candidato para disputar a presidência da República nas eleições de 2014. Trata-se do pastor assembleiano do Rio de Janeiro, Everaldo Pereira, vice-presidente nacional do partido e deputado federal.

Em seu discurso, pastor Everaldo já fala da defesa da família tradicional, dos valores cristãos, do posicionamento contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo e contra o aborto. “Agradeço à direção nacional do Partido Social Cristão (PSC), que, em reunião na Liderança da legenda na Câmara Federal, em Brasília, decidiu que o partido lançará candidatura própria em nível federal em 2014, e indicou nosso nome como pré-candidato à Presidência da República. Conto com suas orações e apoio”.A indicação causou surpresa para muitos que apostavam em Marco Feliciano, que também é do PSC, como candidato à presidência. Ele, inclusive, teve seu nome citado em pesquisas de intenção de voto.Também causou estranhesa a filiação ao PSC do famoso cirurgião plástico conhecido como Dr Hollywood, o Dr Robert Rey, vislumbrando uma possível candidatura a deputado federal. 

Mais coerente, foi a filiação da psicóloga Marisa Lobo, alvo constante de ataques da militância gay, que também vislumbra uma futura candidatura a deputada federal.
Assembleianos são maioria na Frente parlamentar evangélica. 

Os assembleianos irão colocar à prova a sua força política nas próximas eleições. Hoje eles são maioria na Frente Parlamentar Evangélica, 28,5%, e, inclusive, mantêm-se na liderança do grupo. O também assembleiano João Campos (PSDB-GO), que presidiu a Frente por três anos, passou o posto de líder para o deputado federal Paulo Freire (PR-SP), filho do pastor José Wellington, que está há 25 anos na presidência da Convenção Geral das Assembleias de Deus do Brasil (CGADB). Como diz o ditado: é filho de peixe grande.

Como um de seus principais desafios à frente dos parlamentares evangélicos, ele destaca: “Manter o grupo coeso, sem perder o foco do nosso principal objetivo, que é glorificar o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, nos mantendo como Sal da Terra e Luz do Mundo”.Parece simples, tipo discurso de pastor, mas, não bastassem as diferenças partidárias, na Frente há membros de 16 denominações diferentes. Eles se reúnem semanalmente em um culto no Congresso. “Somos um grupo que tem em comum o compromisso com Deus e a sua Palavra, e que se predispõe a defender os princípios Sagrados, mesmo que isso possa parecer aos olhos de muitos um retrocesso em relação as modernas filosofias dominantes”, define Paulo Freire.Sobre a forte representatividade dos assembleianos na política ele atribui ao fato de a denominação ser a maior do País. “Creio que o interesse na conscientização política existe e é crescente em todas as denominações, mas a Assembleia de Deus por ter uma participação numérica maior na população tem também uma representação mais numerosa”, avalia.
 Há de se considerar também o engajamento político das principais lideranças assembleianas divididas em inúmeros ministérios.

Outro grupo político evangélico que desponta é o da Universal, que se une em torno de uma legenda específica, o PRB, Partido Republicano Brasileiro, considerado por alguns o paravento político da Igreja Universal do Reino de Deus devido ao grande número de dirigentes ligados à instituição.   


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